Kunene: precalços na terra do pó


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Era dia de encontro com o governador da província. Saímos cedo, a tempo de visitar escolas em Namakunde, na fronteira e voltar. Mas a estrada desapareceu e no lugar dela nasceu uma pista de terra e buracos ladeada por palácios de formigas mais altos que eu. Os atrasos do costume, o trânsito intenso e o tempo perdido na busca de gasolina para abastecer o jipe impediram-nos de tomar banho, lavar as gadelhas e mudar de roupa. Quando entramos, já atrasados, no edifício do governo provincial, pareciamos ter acabado de chegar de uma longa etapa do Paris-Dakar ou de uma cena do Mad Max. Tenho a certeza, que a cada movimento nosso, se desprendiam nuvens de pó. Os meus belos caracóis tinham dado lugar a rastas esbranquiçadas, os olhos, vermelhos, choravam, os espirros pontuavam as minhas frases e deitavam por terra a esperança de disfarçar o mau aspecto com o mais belo vocabulário luso. O governador ainda riu com a nossa tentativa de justificação mas quando a secretária entrou, impecável e perfumada no seu fato de bom corte e olhou para mim de alto abaixo estarrecida fiquei mortificada e naquele momento tinha dado tudo por um vestidinho e uns saltos altos.

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2 Respostas

  1. Que bem que te vai saber um banho…Adoro as tuas histórias. É como se estivesse a viver o momento. Parabéns
    Abraços e beijos amigos.

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