NO REINO DA BICHARADA


Nhamatanda é um paraíso para os insectos e o inferno para mim. Está a dar-me cabo dos nervos :). Já passei por muitos sítios, já levei com muita fauna, mas nunca nada como aqui. A escola onde estou tem boas instalações mas está mesmo no meio do mato cerrado. Os jardins são lindos, exuberantes e a envolvente é mato denso e floresta. Muito bonito, sem dúvida. Muito fresco, cheio de sombra, passarinhos, flores e até árvores de fruto… que lindo! Na verdade é uma emboscada. Uma pessoa pensa que chegou a um jardim do Éden e nunca mais tem sossego. Os mosquitos, aos montes e agressivos são o menor dos meus males e ainda por cima a escola e o internato estendem-se por uma área enorme e o meu quarto, no bloco destinado a visitas, fica afastado de tudo. Uma chatice que além de me perturbar o convívio social me obriga a andar uns 300 metros por um caminho de terra e capim, sem luz nenhuma à noite. Dá um bocado de medo! Comecei a ver a minha vida andar para trás quando comecei a caminhar pelos trilhos da escola e a ver uma incrível diversidade de fauna a saltar e voar a cada passo meu e para confirmar os meus receios, o meu guia diz-me para caminhar com passos pesados nos sítios com mais capim para as cobras se afastarem com a vibração. Ai o caraças! Desde a primeira hora só tenho tido confirmações da adversidade do lugar. Tenho sempre criaturas a zumbir à minha volta, a pousar em mim e a povoar o meu quarto sem eu perceber por onde entram. Para piorar tudo (sim, é possível!) hoje choveu e a fauna triplicou e anda doida. Neste momento, por exemplo, estou a escrever só com a luz da casa de banho a ver se eles se mandam para lá e mesmo assim não param de me aterrar insectos no monitor atraídos pela luz. As paredes e o chão estão cheios de insectos mortos à chinelada e de caminho vou barricar-me debaixo do mosquiteiro, preso debaixo do colchão. Entretanto estou a ouvir os Moonspell a ver se o vozeirão do Fernando Ribeiro me impõe algum medo à bicharada e estou a fumar cá dentro na esperança de os matar por intoxicação. Vão ser difíceis os próximos dias!

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E entretanto fez-se dia e eu mal dormi, mas foi muito engraçado ao pequeno-almoço, eu com vergonha de dizer que estava aterrorizada com a bicharada e os meus anfitriões muito preocupados e solidários comigo. Eu com medo de me acharem uma betinha e eles, muito queridos, a dizer que era mesmo assim, que até para eles que estavam habituados aos bichos havia alturas em que aqui era demais e fizeram-me mesmo sentir melhor quando me disseram “Mas olha, o outro consultor que esteve aqui antes nem ia para o quarto sozinho e era homem! Quando nós vimos você ir pelo mato de noite, sem luz, até ficamos pasmados.” Pois, eu também ando uma bocado pasmada com a fauna, mas esta gente é um amor, e neste momento estão a pulverizar o quarto e a retirar os cadáveres da noite e a tomar providências a ver se hoje a coisa corre melhor 🙂

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Uma resposta

  1. Olá Cara amiga!

    Que encanto! É para relembrares a tua meninice e o “Fungágá da bicharada”
    Até breve! Encontro marcado com esta bicharada!

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