DIA(s)POSITIVOS – BEIRA


Gosto de aviões grandes e estáveis. Descobri isto recentemente quando tive de viajar para a Beira de avioneta. Note-se que não tenho medo nenhum de voar, mas o raio do mini avião, apesar do dia limpo e solarengo, saltou, esperneou, abanou e cheguei a pensar que ia fazer loopings no ar. Não gostei! Vista do céu, para quem chega desavizado parece um labirinto de arbustos francês, gigante, rodeado pelo mar e por arrozais verdes. A arborização da cidade é tal, que as casas mal se veem e tudo o que detectamos são as filas verdes riscadas por ruas. Fica-se encantado. E depois entramos no labirinto verde, vemos-lhe as entranhas e num primeiro olhar, a estrutura da cidade totalmente plana, em grelha perfeita, a arquitectura típica dos anos sessenta e a longa marginal continuam a encantar. Mas rapidamente somos despertados pela realidade e não há príncipe encantado que nos valha. A cidade assemelha-se na verdade a um cenário de filme pós apocalípse, em que a maior parte da humanidade foi dizimada por uma doença qualquer e os poucos que ficaram parasitam o que ficou. As ruas são avenidas enormes, desenhadas para uma metrópole desenvolvida e agitada e grandes de mais para o pouco tráfego. Além do mais estão esburacadas e os passeios quase desapareceram. Os edifícios da Beira, belíssimos, (andei um dia inteiro a passear e quase se pode apreciar casa a casa os belíssimos detalhes e pérolas arquitectónicas que estão por todo o lado) estão a cair de podres. Estão todos desbotados, partidos, abandonados, invadidos, vandalizados ou simplesmente a morrer de velhice. A grande maioria deles nunca devem ter tido qualquer tipo de manutenção nos últimos 30 ou 40 anos. E o mar, ali mesmo aos pés da Beira, com praias extensas e a marginal bordejada por palmeiras e acácias também está podre. A água é castanha, absolutamente castanha, um nojo. Todos os detritos da cidade devem ir parar ao mar. É triste ver o Índico de águas naturalmente transparentes totalmente castanho sob o céu azul. A mim a Beira não me deixou só decepcionada, deixou-me zangada. Podia ser uma das cidades mais bonitas e com maior qualidade de vida do mundo, podia ser património da Unesco e no entanto não passa de um cenário gasto e abandonado. Que pena que nem todas as histórias podem ser felizes.

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