SWEET SUNDAY MORNING

Maputo é uma cidade magnífica para passeios matinais de Domingo. É o único dia em que a cidade fica silenciosa e tranquila, o que nos deixa mais atentos aos seus encantos. O Sol quentinho e o céu azul fizeram-me companhia desde cedo (cedo demais até, porque estou em fuso horário camponês e acordo às 5.30) quando, de máquina fotográfica em punho, me atirei à cidade e fui descobrindo devagarinho o casario, os monumentos e as ruas cheias de sombra onde ia respondendo aos bons dias dos guardas das casas, que sentados nas suas cadeiras de plástico, me cumprimentavam, por simpatia e para atenuar a monotonia de não fazer nada.

O destino estava traçado: a Feira de artesanato, flores e gastronomia. Já não há vendedores no Piri Piri, nem feira do Pau Preto ao lado do Forte, onde os turistas eram esmagados pela persistência de dezenas de pessoas que os rodeavam e agarravam e berravam a tentar oferecer os seus produtos ao melhor preço. Agora não é assim. O Parque dos Continuadores, na Polana, foi reabilitado e adaptado para receber esta feira permanente, onde num espaço verde bonito e cuidado podemos desfilar pelas bancas de artesanato, conversar calmamente com os vendedores e parar para ler um livro, tomar café ou almoçar num dos simpáticos restaurantes com esplanada.

E já agora, li no jornal que o município vai investir a sério na gestão de resíduos sólidos, um dos principais problemas da cidade. O lixo é uma calamidade, sobretudo em algumas zonas da cidade, por isso tudo indica que da próxima vez que cá voltar Maputo vai estar ainda melhor 🙂

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Párem lá de ajudar os pobrezinhos…

Era uma vez uma escola rural num país pobre. Muitas das crianças iam para a escola sem comer e a vida em geral era muito difícil. Um dia o governo fez um acordo com uma organização humanitária americana para que esta doasse a farinha necessária para se fazer papas de milho. A comunidade foi mobilizada para que as mães rotativamente cozinhem na escola e sirvam a refeição ao final da manhã. O Governo está feliz porque tem mais crianças na escola e está mais perto de cumprir mais um ODM, as crianças estão felizes porque podem comer pelo menos uma refeição por dia e os pais estão felizes pela mesma razão.

Esta cena de vir às lágrimas acontece numa região onde praticamente só se produz milho e arroz. Só que quando a colheita é boa o milho excedente não se vende porque a aldeia está cheia de milho gratuito daquela generosa organização, ou então as pessoas não conseguem fazer farinha por não terem dinheiro para pagar a moagem pois não conseguem obter nenhuma forma de rendimento. Quando a colheita é má e as coisas pioram ainda mais, as pessoas ficam sem forma de comprar sementes para voltar a plantar os campos. Felizmente, podem contar sempre com os senhores Macgovern e Dole, os dois magnatas do sector agrícola, antigos senadores americanos, que criaram a organização que envia a farinha de milho para a comunidade.

Esta foi a história com que me deparei hoje de manhã numa comunidade pobre eternamente agradecida aos senhores americanos que lucram e perpetuam a pobreza deles. Quando vi os sacos de milho “USAID – not for sale” empilhados na escola fiquei doente e em conversa com várias pessoas cheguei a pensar que lhes ia provocar um curto circuito cerebral por questionar aquela doação e argumentar que eram apenas vantajosas para os agricultores americanos. Estou um bocado cansada de assistir vezes sem conta às mesmas histórias de terror disfarçadas de contos de fadas. Só me apetecem dizer: “Acordem, meus amigos!”

NO REINO DA BICHARADA

Nhamatanda é um paraíso para os insectos e o inferno para mim. Está a dar-me cabo dos nervos :). Já passei por muitos sítios, já levei com muita fauna, mas nunca nada como aqui. A escola onde estou tem boas instalações mas está mesmo no meio do mato cerrado. Os jardins são lindos, exuberantes e a envolvente é mato denso e floresta. Muito bonito, sem dúvida. Muito fresco, cheio de sombra, passarinhos, flores e até árvores de fruto… que lindo! Na verdade é uma emboscada. Uma pessoa pensa que chegou a um jardim do Éden e nunca mais tem sossego. Os mosquitos, aos montes e agressivos são o menor dos meus males e ainda por cima a escola e o internato estendem-se por uma área enorme e o meu quarto, no bloco destinado a visitas, fica afastado de tudo. Uma chatice que além de me perturbar o convívio social me obriga a andar uns 300 metros por um caminho de terra e capim, sem luz nenhuma à noite. Dá um bocado de medo! Comecei a ver a minha vida andar para trás quando comecei a caminhar pelos trilhos da escola e a ver uma incrível diversidade de fauna a saltar e voar a cada passo meu e para confirmar os meus receios, o meu guia diz-me para caminhar com passos pesados nos sítios com mais capim para as cobras se afastarem com a vibração. Ai o caraças! Desde a primeira hora só tenho tido confirmações da adversidade do lugar. Tenho sempre criaturas a zumbir à minha volta, a pousar em mim e a povoar o meu quarto sem eu perceber por onde entram. Para piorar tudo (sim, é possível!) hoje choveu e a fauna triplicou e anda doida. Neste momento, por exemplo, estou a escrever só com a luz da casa de banho a ver se eles se mandam para lá e mesmo assim não param de me aterrar insectos no monitor atraídos pela luz. As paredes e o chão estão cheios de insectos mortos à chinelada e de caminho vou barricar-me debaixo do mosquiteiro, preso debaixo do colchão. Entretanto estou a ouvir os Moonspell a ver se o vozeirão do Fernando Ribeiro me impõe algum medo à bicharada e estou a fumar cá dentro na esperança de os matar por intoxicação. Vão ser difíceis os próximos dias!

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E entretanto fez-se dia e eu mal dormi, mas foi muito engraçado ao pequeno-almoço, eu com vergonha de dizer que estava aterrorizada com a bicharada e os meus anfitriões muito preocupados e solidários comigo. Eu com medo de me acharem uma betinha e eles, muito queridos, a dizer que era mesmo assim, que até para eles que estavam habituados aos bichos havia alturas em que aqui era demais e fizeram-me mesmo sentir melhor quando me disseram “Mas olha, o outro consultor que esteve aqui antes nem ia para o quarto sozinho e era homem! Quando nós vimos você ir pelo mato de noite, sem luz, até ficamos pasmados.” Pois, eu também ando uma bocado pasmada com a fauna, mas esta gente é um amor, e neste momento estão a pulverizar o quarto e a retirar os cadáveres da noite e a tomar providências a ver se hoje a coisa corre melhor 🙂

DIA(s)POSITIVOS – BEIRA

Gosto de aviões grandes e estáveis. Descobri isto recentemente quando tive de viajar para a Beira de avioneta. Note-se que não tenho medo nenhum de voar, mas o raio do mini avião, apesar do dia limpo e solarengo, saltou, esperneou, abanou e cheguei a pensar que ia fazer loopings no ar. Não gostei! Vista do céu, para quem chega desavizado parece um labirinto de arbustos francês, gigante, rodeado pelo mar e por arrozais verdes. A arborização da cidade é tal, que as casas mal se veem e tudo o que detectamos são as filas verdes riscadas por ruas. Fica-se encantado. E depois entramos no labirinto verde, vemos-lhe as entranhas e num primeiro olhar, a estrutura da cidade totalmente plana, em grelha perfeita, a arquitectura típica dos anos sessenta e a longa marginal continuam a encantar. Mas rapidamente somos despertados pela realidade e não há príncipe encantado que nos valha. A cidade assemelha-se na verdade a um cenário de filme pós apocalípse, em que a maior parte da humanidade foi dizimada por uma doença qualquer e os poucos que ficaram parasitam o que ficou. As ruas são avenidas enormes, desenhadas para uma metrópole desenvolvida e agitada e grandes de mais para o pouco tráfego. Além do mais estão esburacadas e os passeios quase desapareceram. Os edifícios da Beira, belíssimos, (andei um dia inteiro a passear e quase se pode apreciar casa a casa os belíssimos detalhes e pérolas arquitectónicas que estão por todo o lado) estão a cair de podres. Estão todos desbotados, partidos, abandonados, invadidos, vandalizados ou simplesmente a morrer de velhice. A grande maioria deles nunca devem ter tido qualquer tipo de manutenção nos últimos 30 ou 40 anos. E o mar, ali mesmo aos pés da Beira, com praias extensas e a marginal bordejada por palmeiras e acácias também está podre. A água é castanha, absolutamente castanha, um nojo. Todos os detritos da cidade devem ir parar ao mar. É triste ver o Índico de águas naturalmente transparentes totalmente castanho sob o céu azul. A mim a Beira não me deixou só decepcionada, deixou-me zangada. Podia ser uma das cidades mais bonitas e com maior qualidade de vida do mundo, podia ser património da Unesco e no entanto não passa de um cenário gasto e abandonado. Que pena que nem todas as histórias podem ser felizes.

DIA(s)POSITIVOS EM TETE

Nunca tinha visitado a província de Tete antes. O calor intenso, a malária e Cahora Bassa eram praticamente as únicas referências que tinha… que pobreza! Há tanto mais. É certo que o calor é mortífero, mas sobretudo na cidade de Tete, que é baixa e se estende pelas duas margens do Zambeze. Aqui, a temperatura média nesta altura do ano, é de 38º e no meio do dia vai aos 40 e muitos… dureza, mas em outras zonas, a maior altitude, é tranquilamente quente. Também é verdade que a malária anda por aí à solta, sobretudo na cidade. Os mosquitos são uma praga e não há nada que os controle. Apesar de todos os cuidados algumas partes de mim parecem um mapa de sarampo, mas tirando isso eu para já continuo resistente à doença. Quanto ao resto, não há maneira de transmitir o que os olhos veem, nem o que a alma sente. Cahora Bassa materializou-se para mim e saiu do mundo das referências abstractas. É uma criação humana imponente no meio de uma criação da natureza com uma beleza indescritível, de cortar a respiração. A natureza não é só generosa por estas bandas, é uma mãos largas, onde a mãe África perdeu a cabeça! E então nesta altura do ano, com tudo verde e cheio de vida, no final da estação da chuva, é maravilhoso. Mas há mais surpresas. Tete é a província com maior potencial de desenvolvimento neste momento e isso salta-nos à vista de todas as maneiras e feitios. Tem sido descoberto minério, incluindo ouro, na maior parte ainda por explorar e há água mineral, algodão e tabaco com produções e investimentos cada vez maiores. Há empresas de exploração de minério, uma dinâmica de construção impressionantes (edifícios, estradas, pontes… tudo), uma indústria hoteleira florescente que não chega para as encomendas, serviços de transportes que fazem as estradas assemelhar-se à imagem que tenho de alguns lugares dos EUA, com circulação constante de camiões gigantes. A cidade tem o seu quê de pioneirismo, de espírito de caça ao ouro. Está cheia de estrangeiros, sobretudo portugueses que trabalham na construção civil e na barragem, mas também aventureiros, biscateiros, cooperantes, gente em busca de oportunidades e do sonho africano… é uma espécie de imã para aquela dimensão do espírito colonial que não passa pela opressão mas pelo espírito empreendedor e aventureiro. Aqui não há crise! Qualquer coisa dá dinheiro. O mercado é enorme, em acelerado crescimento e com imensas necessidades. Confesso que é um fenómeno muito interessante de observar, o que tenho tido oportunidade de fazer, de perto desde que vim parar a uma espécie de motel de estrada fora da cidade (por estar tudo, mas tudo, absolutamente cheio), propriedade de um português, onde há quartos, um restaurante e um Pub… assim, nem mais! Sou na maior parte das vezes a única mulher no restaurante rodeada por portugueses barrigudos, mal vestidos e que não conseguem dizer uma frase sem meter dois palavrões pelo meio. Um mimo! Estou numa espécie de paraíso para trolhas e camionistas, com bacalhau, pudim de abade prisco e pataniscas na ementa e a televisão sempre ligada na TVI, onde os empregados, todos moçambicanos, me parecem de uma delicadeza e educação extrema, quase aristocrática, por comparação. E isto tudo, em convívio perfeito com a cultura tradicional do interior, onde o Régulo me tratou por excelência, me fez vénias e me ofereceu no final uma saca com massarocas como se me estivesse a dar um baú de pedras preciosas. Tem sido uma semana um bocadinho bipolar. Em breve sigo para a Beira… a ver o que Moçambique me reserva por lá!

DIA(S)POSITIVOS – MOÇAMBIQUE

Moçambique está mesmo diferente. Não imaginam a minha surpresa quando vi o Kamasutra Gay, em destaque, na montra de uma livraria nova, no novo Maputo Shopping. É que eu lembro-me de mal se conseguir comprar livros que não fossem religiosos e de não haver propriamente livrarias em lado nenhum. Foi lindo! Maravilhosas também são as Lojas da Frelimo… exactamente!, lojas de merchandising como as do FCP e nos locais mais bem localizados. É muito à frente. Se esta moda se pega não vai ser bonito ver à venda T-shirts com a cara do Sócrates, malas e pochetes com a rosa socialista ou toalhas de praia e bonés que parecem a bandeira da Suécia mas que afinal são do PP porque têm a cara do Paulo Portas estampada. Que medo! E também há tuk tuks agora, como no Quénia… as motinhas com cobertura para transportar passageiros. Aqui têm um nome impronunciável, são novas em folha, amarelas e a melhor maneira de passear na cidade, até porque o trânsito é intenso mas mais ou menos tranquilo e a cidade não cheira a gasolina… (pausa!)… (jurei a mim própria não fazer comparações com o Quénia mas elas estão sempre, sempre, na minha cabeça e eu tenho dificuldade em conter-me)… adiante… E as viagens de avião… uma maravilha. Confesso que voos domésticos em África (e sim, estou a generalizar conscientemente) costumam ser um pesadelo: aviões velhos que parece que se vão desintegrar à mínima aragem, aeroportos feios, sujos e caóticos, atrasos, serviços maus, viagens canceladas… tudo pode acontecer. E esta minha viagem integra vários voos domésticos e eu estava com aquele sentimento de impotência paciente… “Vai ser lindo!” Nada. O antigo aeroporto internacional de Maputo agora só funciona para voos domésticos e bem. Check in rápido e organizado, pessoal simpático e competente, polícia cooperante… um mimo! “Quer que tire o cinto?”, pergunto eu no raio X “Não precisa o constrangimento senhora, a máquina vai apitar com as suas pulseira, de qualquer maneira”, disse o Polícia. Lindo! Teve direito ao meu melhor sorriso do dia. Aeroporto de Tete: restaurado, limpo, bonito e eficiente. E outra coisa muito importante, a LAM aposta em não reproduzir modelos decadentes e irrealistas de beleza feminina. A regra de a hospedeira de bordo ter de ter a altura X, o peso X e as medidas X, aqui não pega. Elas são lindas e de todos os géneros e se se tiver de mudar alguma coisa, que se mudem os aviões, como era o caso do meu de hoje a caminho de Tete. Era um modelo completamente desadequado à senhora roliça e super simpática que nos serviu o lanche, pois ela mal cabia no corredor e tinha dificuldade em virar-se e mesmo assim fazia o seu trabalho com toda a graciosidade. Sobre a simpatia das pessoas eu não me canso de tecer elogios. Eu sei que gosto tanto disto que devo estar a exercer aquele efeito da atracção de que se fala nos best sellers de auto-ajuda, mas não quero saber, é o que me tem acontecido. Senão vejam, hoje novamente na viagem para Tete. Senta-se ao meu lado um sujeito muito simples e digo simples porque devia ser a primeira vez que andava de avião e estava muito atrapalhado. Estava impaciente, imaginem, por não lhe entregarem a mala que ele deixou quando mostrou o bilhete. Quando lhe explicaram que estava no porão, ficou numa aflição tal que foi preciso explicar-lhe várias vezes que no final da viagem a mala e ele haviam de se reencontrar outra vez. No entanto, apesar da inquietação e da falta de experiência nestas andanças mundanas, não deixou de ser um perfeito cavalheiro. Eu levantei a mão para chamar a hospedeira e ele levantou-se imediatamente e chamou-a para mim, abriu-me e fechou-me a mesinha sem sequer me dar tempo de ser auto-suficiente (e acho que tinha estado a ver como o vizinho do lado fazia antes de tentar) e tirou-me a mochila e deixou-me passar à frente dele. Bolas! E isto tudo com um ar solene e tímido e sem nunca falar comigo. Maravilha. Chegar a Tete, confesso que foi uma emoção. Ver o rio Zambeze, poderoso, a atravessar a cidade ao pôr do Sol, foi uma imagem que me ficou registada na memória. E na memória também vai ficar o hotel. Ok, aqui temos um pequeno problema. É sabido que em África, qualquer alojamento com menos de 4 estrelas é um perigo e a ter menos estrelas o ideal é escolher backpackers, sempre, ou albergues da Igreja. Aqui em Moçambique se calhar a coisa é ainda um bocadinho pior do que nos outros lugares, sobretudo tendo em conta a relação preço-qualidade. A oferta é pouca, mesmo em Maputo, para a procura e o fosso entre os estupidamente caros e os muito caros é enorme (sendo que o serviço nem sempre é melhor) e os baratos, não Obrigada!, nem pensar. Há um ou outro backpacker bom, mas para um estilo de viagem que não é compatível com trabalho. Mas adiante… só para terem uma ideia, sou levada para o melhor hotel da cidade. Um lugar impessoal, arquitectura em blocos, mas de cara lavada, com ar condicionado e limpo e mais nada…. e mesmo mais nada e cobram 95 USD por isto. Está mal! Ainda por cima o recepcionista não encontrava a reserva e discutia com o meu motorista (que tinha feito a reserva), que o quarto 24 não estava reservado em meu nome e que não tinha lá nada e muito vai e vem e volta e pergunta a mesma coisa e entretanto chega o dono, sul africano, depois de meia hora de saga que me estava a divertir imenso, confesso. Chega e pergunta o que se passa, porque é que ainda não tinha quarto ao que o recepcionista responde “Ele diz que reservou o quarto 24 mas não tem reserva aqui nesse nome”, “E temos mais algum quarto livre?”, pergunta o dono. “Temos, mas não é o 24!” E aí eu tive de intervir e jurei que não tinha nenhuma superstição com o número 24, que podia ser outro qualquer, que até gosto mais de outros números. Fiquei com o 14, e tive direito a uma cerveja paga pela casa para compensar a atrapalhação. E tudo se resolveu :). Mas este tipo de serviço, estas confusões e exercícios de paciência para qualquer europeu não desaparecem se se pagar 250 USD por um quarto. Portanto, o ideal é relaxar, aproveitar para rir um bocadinho com a diversidade cultural e acreditar que no fim fica tudo bem. E outra coisa que não se pode controlar a 100% é a bicharada. O ar condicionado é essencial, a limpeza, nem se fala, os mosquiteiros também, mas estamos nos trópicos e as criaturas têm milhares de anos de adaptação em cima e estão em casa. Por isso, mesmo que tentemos controlar todas as variáveis, o meu maior pesadelo acontece. Esta semana em Maputo no meu hotel catita e com pouquíssimas probabilidades de acontecer… aconteceu! Estou eu sossegadita na cama a ver um filme no computador e eis que vejo uma barata gigante a passear-se no cortinado. Fiquei sem pinga de sangue! E não tinha insecticida para a atordoar antes de a aniquilar. Precisei de toda a minha coragem e lá a consegui esmagar com um sapato. Mas fiquei tão nervosa que resolvi sair para o jardim para fumar um cigarro. Má ideia… mas mesmo, muito, muito má. Estou eu a tentar acalmar-me quando uma maldita barata voadora gigante resolve aterrar no meu pescoço e tentar descer pelo decote. Ia morrendo!

Em Jeito de brincadeira

Sempre achei uma delícia o nome da marca  e com todas as campanhas de prevenção da Sida o Jeito virou mesmo sinónimo de preservativo em Moçambique. As frases publicitárias são fantásticas e as brincadeiras que se podem fazer com o nome infinitas. Ainda por cima, há três versões diferentes, o Jeito Clássico, o Jeito Aromático e o Jeito Manobra. Brincadeiras à parte, a verdade é que o Jeito torna a abordagem mais subtil. “Amor, você tem Jeito?” parece-me muito melhor do que “Tens preservativos? 🙂