BOMBAS CONTRA A DEMOCRACIA


Ontem morreram cinco pessoas e quase cem ficaram feridas devido a um atentado bombista. Aconteceu durante uma manifestação no centro de Nairobi a propósito da nova Constituição. O Quénia está em processo de revisão constitucional e vai submete-la a referendo popular no próximo mês de Agosto. É um passo importante para o desenvolvimento do país e para garantir maior justiça social. As negociações entre os mais diversos parceiros sociais e a discussão popular, apesar de ofuscadas por demagogias populistas, têm decorrido com uma abertura democrática surpreendente. As várias versões e propostas publicadas nos jornais e discutidas publicamente e a tentativa de construir um contrato social difícil, que integre toda a diversidade social, tribal, cultural e religiosa do país tem sido uma constante.

Para mim, aliás, o grande problema da nova proposta constitucional é querer tanto agradar a todos, que se torna contraditória. No entanto, apesar de todo este esforço os fantasmas do costume fazem a sua aparição para assustar a Democracia. As tensões sociais e tribais que deram origem à violência pós-eleitoral em 2008, continuam a ser as mesmas. O Quénia não existe. Existem 41 tribos confinadas a um território que não querem partilhar e que cada uma quer dominar, em seu benefício. É uma sociedade segregada, onde ninguém se mistura, onde ninguém quer cooperar, onde a noção de cidadania nacional não existe e onde cada um espera pela sua “vez de comer”, ou seja, de chegar ao poder, partilhà-lo entre os seus e fazer o que agora acusam o Governo de fazer.

Sempre que pergunto, a quenianos, se acham que as próximas eleições em 2012 vão assistir a uma repetição de barbaridades, respondem-me que não. Todos me dizem que não, que é passado e até desvaloriza, como se tivesse sido um acidente… uma momentânea demência colectiva. É mentira! Estão a enganar-se a eles próprios e as bombas contra a democracia já estão a começar a ser lançadas.

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2 Respostas

  1. Importantíssima para nós a tua visão. De quem está no terreno e o conhece mesmo.
    Vou partilhá-lo com várias gentes. As leituras do que se passa e que chegam até nós são eivadas de “ocidentalismos…”

    Um beijo grande e saúde

  2. 🙂 Menos mal que chega qualquer coisa… eu achava que nos dias que correm, de África só saíam os ventos do Futebol.

    Obrigada amiga! Eu confesso, que quanto mais vou indo e vendo o que cá se passa mais me apetece virar as agulhas e trabalhar em prol da construção da Europa, a minha casa, onde estão em perigo valores fundamentais e deixar o Quénia, para os quenianos. Que se entendam 🙂

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