ÁFRICA MINHA


No meio de tantas notícias más e sérias e depois dos últimos posts mais pessimistas, hoje vou esquecer os problemas do mundo e partilhar convosco outra coisa.
Finalmente encontrei o que tanto ansiava. É difícil de explicar, é algo que se sente. Basicamente é aquilo que me faz querer voltar a África quando estou longe. Estou muito mais feliz!
A viagem de Nairobi para Kisumu durou umas 7h. Éramos 4 mulheres num Rav4 pois vim de boleia com 3 freiras do convento onde estou hospedada (a residência da minha primeira melhor amiga, que conheci nas aulas de Swahili) e entre muito boa disposição e risota fomos parando vezes sem conta pelo caminho, para comprar queijo (queijo, no Quénia, imaginem!!!), para comprar frutas, hortaliças e sei lá que mais aos vendedores de beira de estrada, que colam a mercadoria e a cara aos vidros do carro impedindo-nos de sair para fazer as compras. É preciso lutar com determinação e querer muito os produtos para se conseguir sair e comprar qualquer coisa. Foi portanto, com 4 mulheres, muitas malas e comida que atravessamos uma das partes mais belas do país. A viagem é emocionante! Passamos pelo Rift Valley, por parte da floresta Mau, por quilómetros e quilómetros de plantações de chá, por outros tantos de plantações de cana de açúcar e de arroz, por montes e montanhas e vales até que, chegamos finalmente ao lago. Se bem que Kisumu é geograficamente uma baia é possível, mesmo assim ter uma ideia da dimensão. Parece mar, sem fim e a janela do meu quarto está virada para lá.
Hoje foi o primeiro dia de trabalho. Era preciso começar a visitar as organizações de Comércio Justo locais. Na internet nenhuma delas tinha endereço físico e resolvi ir ao mercado de artesanato a ver se alguma banca pertencia a estas organizações para me indicarem onde ficavam as instalações e oficinas. Foi logo à primeira. Uma chamada telefónica da menina da banca e meia hora depois tenho a directora de uma delas a chegar de carro para me levar em visita. Resumindo o que a trabalho diz respeito, a coisa correu tão bem que esta vai ser um dos meus casos de estudo e já está tudo organizado para a minha estadia.
Mas a forma como cheguei a esta organização foi apenas o prelúdio daquilo que o dia me reservava. Na primeira viagem que fiz de matatu, duas raparigas que iam no banco atrás de mim, batem-me no ombros, tocam-me no cabelo e entre rizinhos perguntam-me se os meus caracóis são verdadeiros… podia ter levado a mal, é verdade! Mas não, antes ri-me com elas, apresentamo-nos e nunca mais pararam de me fazer perguntas, ao ponto de dar por mim a explicar a toda a gente dentro do matatu o que era o Comércio Justo e a distribuir abraços à saída, para além de ter ficado com o telefone das moças e prometer visitar a casa delas qd tiver oportunidade. Entretanto, porque precisava de voltar á mesma organização de tarde, resolvi apanhar um tuk tuk que se perdeu no meio da cidade porque cismou que ele, e não eu, é que sabia como chegar ao local. Típico! O que não é típico é ele chegar ao destino perdido de riso por eu saber o caminho e ele não e fazer um desconto no preço pela incompetência dele e pela simpatia minha.
Já pelo fim da tarde, a chover torrencialmente, e a caminho do convento que fica uns quilómetros fora da cidade e requer matatus interurbanos, pergunto a uma rapariga qual o matatu certo para o meu destino e ela resolve levar-me lá, contra a direcção da viagem dela e oferece-se para me pagar a viagem. (Dizia ela que sempre que vai a Nairobi fica tão perdida e ninguém a ajuda, que quando pode dá sempre uma mãozinha a quem vem de fora) Estes matatus interurbanos, não têm controlo de lotação e além de mim viajavam lá dentro mais 19 pessoas, ao que somavam dois sofás no tejadilho e as almofadas dos mesmos distribuídas pelos passageiros. Só hoje conheci mais gente, falei com mais estranhos e tive mais demonstrações de generosidade e simpatia do que ao longo dos últimos meses em Nairobi, onde as pessoas só se aproximam para mendigar ou para tentar extorquir dinheiro. Para além do factor humano fundamental, em Kisumu parece Verão, com 30º de calor húmido e está sol. Foi o dia mais produtivo e provavelmente mais feliz que tive desde que cá estou!

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3 Respostas

  1. :-)) Havemos de ir juntas a Kisumu 😉 Tanta simpatia e disponibilidade no espaço de um dia… tão fixe!

  2. que bom, amiga, é de encher a alma, beijinhos

  3. Que maravilha maninha…tanta aventura positiva num só dia até custa a acreditar!!!Hehe!Mas ainda bem que há dias assim…

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