VOLTA AO QUÉNIA EM 3 SEMANAS II


MOMBASA

Mombasa é uma cidade cheia de história, de encantos, pitoresca e é geograficamente uma ilha, na costa sul do Quénia, banhada pelo Índico. Dela dizem que não tem meio termo, que quem a conhece ou a detesta ou a adora.
Eu, antes demais, devo dizer que para minha grande frustração detestei a cidade. É difícil de explicar este sentimento, tem a ver com algo que se sente no ar, com o ambiente de um lugar, com algo pouco objectivo. Eu detestei praticamente tudo: a falta de verde, o lixo, a degradação dos edifícios, os maus cheiros, a exploração dos turistas, o assédio imbecil dos habitantes locais que torna qualquer passeio exasperante, a chuva que não nos largou, a feiura da cidade.
Dito isto, e depois de partilhar as emoções negativas que a cidade me suscitou vou tentar ser objectiva. É impossível falar do Quénia sem falar em Mombasa, a segunda maior cidade do país, na costa do Índico, durante séculos um entreposto fundamental para o comércio internacional, com uma longa e profunda influência árabe que se reflecte na arquitectura e na cultura Swahili predominante. A cidade velha, seria belíssima se não estivesse a cair de podre, com as suas ruas estreitinhas a fervilhar de comércio, com as suas portas rendilhadas maravilhosas, as varandas esculpidas e as mesquitas das mil e uma noites. Nota-se algum esforço de recuperação e reabilitação urbana mas insignificante, na minha opinião, para aquilo que Mombasa merecia.

Chegamos à cidade depois de umas 10h de autocarro, que partiu de Nairobi e atravessou o sul do país até à costa. Para dizer a verdade, a coisa correu bem melhor do que pensei. O autocarro, da Akamba, era um luxo para os padrões locais, confortável, limpo, com uma paragem numa boa zona de serviço para a malta esticar as pernas, comer qualquer coisa, fumar um cigarro e fazer xi xi. A única coisa insólita de que me lembro são as paragens na berma da estrada para os xi xis intermédios. O autocarro pára literalmente na berma do mato e é ver a malta a sair para aliviar a bexiga. Em segundos forma-se uma fila de homens de costas para o autocarro a regar o capim e o mulherio desaparece no meio da vegetação mais densa. Fez-me uma certa confusão e não achei prático. Reclamações, só mesmo daquele troço da estrada sem asfalto que desafiava a suspensão do autocarro e a gravidade do planeta, apesar de a Zimbie conseguir dormir no meio da nuvem de pó que tentava engolir-nos e dos solavancos que faziam lembrar poços de ar em viagens de avião.
O nosso hotel, escolhido por recomendação da Lonely Planet e sem reserva, acolheu-nos bem na sua simplicidade e diria, mediocridade. Não tem história nem alma, é um sítio chato: nem bom nem mau, nem bonito nem feio, nem caro nem barato… enfim, adiante.
A noite chegou e com ela a fominha e a necessidade de encontrar um sítio para comer e aí acontece o grande incidente insólito da viagem. Convenhamos: qual a probabilidade de atravessar o país, chegar a uma cidade desconhecida, virar uma esquina, encontrar um restaurante simples mas com boa pinta e encontrar lá, a jantar o Hashim, uma pessoa maravilhosa que tínhamos conhecido em Nairobi no dia da nossa chegada? Nem queríamos acreditar nos nossos olhos e a partir daí tivemos companhia da melhor qualidade, viatura com chaufeur, convites para ir aqui e ali, visita guiada a bons restaurantes e algumas maravilhas locais e muitas, mas muitas gargalhadas, além da oportunidade de conhecer mais algumas pessoas muito especiais.
O mundo é mesmo muito pequeno! E não pára de nos surpreender.
Ao contrário do que pensávamos o tempo na costa estava muito mau, chovia que se fartava e praia… nem vê-la.


Um dia, ficamos por nossa conta na cidade e fomos visitar os monumentos e a cidade velha… foi difícil. Valeu-nos o tuk tuk, que descobri ser o melhor meio de transporte do mundo, uma espécie de motoreta com uma parte de trás coberta e lugar para 3 passageiros. É rápido, fácil de encontrar e prático para deslocações curtas (é maravilhoso em dias de chuva).
A nossa primeira paragem foi no Forte Jesus, construído pelos tugas. É “O” monumento da cidade, é grande, percebe-se que foi uma fortaleza… mas era um sítio chato para viver (ou os

nossos compatriotas não teriam enchido as paredes de grafitis). Coitados, deviam sentir-se muito aborrecidos com aquele calor húmido sufocante, longe de casa, sem internet nem TV Cabo, com mulheres camufladas por grandes camadas de panos e rodeados de Infiéis. Era uma vidinha difícil. Agora, para ser sincera, eu percebo que o forte seja uma coisa do outro mundo para os padrões locais, americanos, autralianos e tal… agora para nós baahhh! Não é nada de especial! Quem tropeça no castelo do Queijo por tudo e por nada e conhece Sagres e outros que tal não fica facilmente excitado com a coisa…. Com excepção para o museu, esse sim, digno de nota, como se pode ver pelas fotos, mas sem qualquer mérito por parte dos Portugueses LOL.
O pior mesmo foi depois o passeio pela cidade velha, com cromos constantemente a quererem ser nossos guias, com um caso grave de assédio turístico e uma vontade constante de arrancar os olhos a pessoas que se aproximavam de nós. Se não tivermos cuidado Mombasa pode induzir comportamentos profundamente antissociais nos visitantes.
A seguir abalamos para Malindi, para fazer praia e descansar ao sol… mas esse capítulo fica para depois.

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5 Respostas

  1. :-)) dormi durante toda a parte má da estrada, lol!! Eu ao contrário da nossa AQ achei alguma piada a Mombassa, não sendo no entanto uma cidade que quises voltar a visitar… é muito movimentada e caótica durante o dia e cheia de cores e cheiros 'exóticos' e não só… mas adorei os tuk tuk! Estão em todo lado, custam cerca de 50 centimos por viagem, e levam-te a qualquer lado e rapidamente porque navegam o trânsito com pinta! (ex.: http://www.flickr.com/photos/melita666/2600869864/). O nosso forte tuga tem vistas maravilhosas e os graffitis dos nossos marinheiros são giríssimos 🙂 Ó, e vá lá, a companhia dos corvos ao peq-almoço no nosso terraço do hotel tem piada 🙂 O encontro inesperado com o Hashim foi fantástico e levou, como muito bem referido pela nossa AQ, a experiências e generosidades inesquecíveis….As histórias continuam 🙂

  2. I'm all ears! LOL!Adoro ouvir as vossas descrições (algumas destas coisas já tive o prazer de ouvir ontem ao jantar, né Zimbie? :))), e é uma forma de "visitar" lugares e gentes que desconheço… pelo menos para já. 🙂

  3. Minhas lindas,esta recuperação das memórias da viagem não está fácil, tu mantem-te atenta e ajuda-me Zimbie :)Sarinha, gostei especialmente do "pelo menos para já" 😛

  4. Minhas lindas,esta recuperação das memórias da viagem não está fácil, tu mantem-te atenta e ajuda-me Zimbie :)Sarinha, gostei especialmente do "pelo menos para já" 😛

  5. Com tanta experiência nova um dia destes estou a ver-te mergulhar nas profundezas do Indico. Vou adorar ouvir-te ao vivo e estás já convocada…jantar à maneira, certo? Um até sempre cheio de LOL

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