VOLTA AO QUÉNIA EM 3 SEMANAS I

As aventuras e desventuras de 2 tugas à solta pelo país, de lés a lés.

Depois de 3 semanas em Portugal, com passagem pela gelada e desinteressante Alemanha e de muitas saudades matadas no país onde a cegonha me deixou acidentalmente cair, voltei ao Quénia.
Soube bem voltar à minha casa em Nairobi, rever algumas pessoas e lugares e com a certeza de ficar mais nove meses, numa cidade de que gosto cada vez mais, onde me sinto cada vez melhor e onde tenho muito que viver e aprender.
Mas não regressei sozinha. Voltei com a Zimbie, que veio de férias e que durante 3 semanas vai andar comigo de um lado para o outro. É bom poder partilhar estas experiências e é melhor ainda ter testemunhas que confirmem muitas das coisas insólitas aqui relatadas.
Chegamos a Nairobi pior que o chapéu de um pobre, depois de 28 horas de viagem, 3 aviões, um almoço no Maxwells, em Covent Garden e uma paragem em Dohoa, no Qatar, às 6 da manhã com os 31º mais insuportáveis de que me lembro. Definitivamente, marcar viagens que dão a volta a meio mundo para poupar uns eurozitos, não são recomendáveis pois o balanço entre o custo e a nossa sanidade física e mental fica muito desequilibrado. Salvou-nos a massagem que eu já tinha deixado marcada no Silver Springs e que nos ajudou a pôr os ossos no sítio e a recuperar alguma energia. Os primeiros dias passaram-se em Nairobi para a Zimbie conhecer a cidade e ter a oportunridade de conhecer algumas das pessoas maravilhosas com que me tenho cruzado. Passamos pelos melhores restaurantes, na melhor das companhias (ela também já começou a conhecer a comunidade somali, os véus e as burcas com que me dou), tivemos a bela surpresa de sermos convidadas para jantar na cottage nova de um amigo meu italiano que vive agora em Nairobi, como quem vive no campo, de experimentar autocarros, taxis fedorentos e de luxo, matatus (aliás até tivemos direito a boleia de um matatu à borla), passeios a pé e muito riso e boa disosição. Muito haveria que contar, muito nos temos divertido mas é impossível referir tudo e a Zimbie já percebeu que tudo pode acontecer e que o insólito e o extraordinário espreitam em cada esquina. Desde a iniciação à negociação de todos os preços, ao táxi coberto de carpélio sem fechos para abrir os vidros que levaram as nossas alergias ao rubro, ao carro de luxo com motorista que os gangsters (uns amores de pessoas que negoceiam com treino de forças de segurança e sabe-se lá que mais) puseram à nossa disposição para passar um dia em Karen, à lição que demos a um grupo de taxistas que não baixaram os preços decentemente e que nos viram horrorizados a apanhar um matatu numa das zonas mais in da cidade, carregadas de sacos de compras, juntamente com o nosso amigo italiano, até à travessia de uma espécie de trilho florestal de noite, a pé, sem luz para chegar a casa dele e á visita a uma das minhas organizações de Comércio justo preferidas, aconteceu-nos de tudo.
Depois ao contrário do previsto e de um dia para o outro resolvemos abalar para Mombasa. Nove horas de viagem de autocarro, um hotel baratinho e muito decente no centro da cidade e eis que o impossível acontece: entramos na esplanada de um restaurante e encontramos um amigo que tinhamos conhecido em Nairobi, conhecemos outros amigos dele e desde aí temos tido jipe e motorista para passear, fomos a Malindi e conseguimos através deles um belo negócio num hotelzinho junto a praia (para onde vamos amanhã), visitamos e usufruimos do melhor hotel de Mombasa, onde eles estão (sim, nós somos as mzungu mais rascas e tesas que já passaram por este país, uma espécie de criaturas no fim da cadeia alimentar) e conhecemos as melhores coisas da região.
Hoje foi dia de andarmos à solta na cidade velha em Mombasa, visitar o forte Jesus (para quem conhece o castelo do queijo não é nada de especial… mas prontos, aqui é um monumento do caraças), percorrer as ruelas da cidade medieval (com um cromo colado a nós, armado em guia turístico, a quem ia arrancando os olhos), andar de tuk tuk (um veículo híbrido entre a motorizada de deficientes e o táxi) que é um espectáculo e com direito a um final de noite memorável a beber Safron milk sheik na esquina de uma mesquina e a rir desalmadamente com os nossos mais novos amigos., com quem acabamos por ir a discoteca mais kitcsh, psicadélica e bem situada (e fente ao mar) de Mombasa. Devo dizer que não gostei nada de Mombasa (ao contrário da Zimbie): É feia, está a cair de podre, cheira mal, as pessoas sao chatas e tentam explorar ao máximo os turistas, não tem espaços verdes… fez-me lembrar o Cairro! (Que também detestei)
Amanhã abalamos para Malindi para usufruir de uns dias de praia até ao fim de semana e depois… safari com a gente!
As comunicações não são fáceis. Estamos com uma vida social muito exigente, a safaricom tem funcionado mal e poucas oportunidades temos tido para dar noticias. Vou tentar relatar factos da viagem com mais frequência… e colocar algumas fotos também. Agora tenho de nanar – mimi nitalala!

Anúncios

REGRESSO TEMPORÁRIO À PÁTRIA

De regresso a Portugal, com passagem pela gelada e aborrecida Alemanha, ando a aproveitar para matar saudades da família, dos amigos, do mar e da praia, das francesinhas, do vinho tinto, das gargalhadas fáceis partilhadas com quem me conhece.
E para ilustrar o meu estado de espírito nada melhor que este belo mini vídeo sobre a minha família feito pela minha prima Joana 🙂

http://www.youtube.com/watch?v=uqPXGAbacos