THE BUS EXPERIENCE


A saga dos transportes continua. Hoje tive de ir ao distrito de Karen fazer uma entrevista e como é uma zona muito periférica da cidade (recordo que se chama Karen por causa da Karen Blixen, que tinha aqui a sua “farm in africa”) fica caríssimo vir de táxi. Assim o melhor é ir de autocarro ou matatu e depois lá andar de táxi.
Normalmente eu uso os matatus (aka hiaces) porque os autocarros apesar de nos parecerem mais familiares e seguros não são. Tal como os primeiros estes também circulam a desfazer-se e a alta velocidade e se uma pessoa calha, por exemplo, de estar num dos bancos do fundo e tem de se levantar para sair corre o risco de acabar no colo de alguem ou a voar por uma janela fora. Os matatus aproveitam melhor a força da gravidade e quando uma pessoa vai no fundo, tem de sair toda a gente primeiro para nos dar passagem. Mas isto não interessa nada. O que interessa é que no regresso de Karen assisti a uma cena que já me tinham dito que era frequente nos autocarros.
Ora estou eu sentadinha junto à saída, bem instalada, o autocarro vai cheio e a todo o gás pela Ngong Road abaixo, quando se levanta uma senhora que ia dois bancos mais à frente. Levanta-se mas em vez de se preparar para sair, não, vira-se para trás, apoiada nas costas do banco (fica portanto de frente para mim) e eu apanho um grande susto porque se estava mesmo a ver pela cara dela que não tinha o juizinho todo… e curiosamente… reparei eu, usava uma daquelas tiras brancas no pescoço como os padres católicos. Eu olho para a janela a ver a paisagem e então começa o sermão. A senhora… pastora, angariadora de almas, pregadora… não tem mais nada, abre a Bíblia, enche os pulmões de ar e começa a pregar apaixonadamente (leia-se aos berros e muito expressivamente) até ficar roxa. Pelos visto só eu é que achei a coisa um bocadinho estranha. Até houve quem lhe desse moedinhas!! Eu pela minha parte só lhe pagava se ela se calasse porque foi mais de meia hora de sermão até chegar a casa.
Eu não acho bem usarem os transportes públicos para dar sermões às pessoas. É muito esquisito e dá vontade de rir, num contexto em que se sente no ar a ameaça da fogueira, para o desgraçado do herege incauto que ouse dar umas gargalhadas. Definitivamente a malta aqui tem pouco sentido de humor! Eu liguei o Ipod e vim parte da viagem a ouvir os Moonspel para equilibrar a coisa.

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6 Respostas

  1. LOOOOOOOOOOOOLTu podias era fazer uns vídeos para depois mostrar ao pessoal heheheBjs

  2. HelderAqui não se pode brincar com as coisas Senhoreee. E é preciso não esquecer que o linchamento é uma prática comum, por isso… respeitinho e low profile é que é preciso.Agora começo é a achar que podia escrever um livro só com histórias de transportes públicos LOL, sim porque os insólitos acontecem todos os dias, vocês é que só sabem de alguns :)Beijinhos e até breve!

  3. Lol de facto isto obriga a escrever um livro que sem dúvida será um best-seller! Até já tenho editora e tudo 😉 Agora o choque cultural (e emocional) que tu vais ter quando fores à Leipzig, depois de meses no Quénia, isso sim vai ser bonito de ver e relatar!! 🙂

  4. RakelMinha querida, nem sei que te diga. o choque cultural faz parte do meu dia a dia :)Ia estranhar era se de repente tudo me parecesse “normal”… é que uma pessoa fica “agarrada” a isto como uma droga!Beijinhos!!

  5. loloolllll! sem comentários!beijokas grandes

  6. Que pesadelo, lol! Ainda bem que tinhas os Moonspell para equilibrar a coisa. Muahaha!!! 🙂

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