TAXI EXPERIENCE


Em Nairobi andar de taxi é caro, os taxistas conduzem como loucos, algumas viaturas parece que se vão desintegrar durante a viagem (se bem que outras são cinco estrelas) e é preciso negociar sempre o preço da viagem antecipadamente. No entanto, são imprescindíveis quando se sai à noite ou quando queremos chegar a uma determinada hora ao lado oposto da cidade.
Quase todas as viagens de táxi têm história e já me aconteceu quase tudo, desde ficar parada no meio de nenhures sem gasolina (felizmente durante o dia) até andar tempos infinitos à procura de uma rua porque a expressão “não sei” é inexistente no vocabulário dos taxistas. Mas esta semana aconteceram duas experiências que de tão insólitas merecem lugar de destaque aqui no blogue.
Uma aconteceu comigo… outra com uma amiga. Comecemos pela segunda.
Eramos 3 raparigas. Saímos para jantar, dançar e assistir a um concerto e no final apanhamos um táxi para casa. Eu e a minha colega viemos para nossa casa e o táxi depois seguiu para levar a nossa amiga. Certificamo-nos que ele tinha percebido bem onde ela morava (a 5 minutos de nós), despedimo-nos e fomos dormir. Meia hora depois ela liga-nos nervosa porque o taxista andava perdido e ela não lhe conseguia explicar onde morava porque também já tinha perdido a noção de onde estava. Lá lhe tentamos explicar novamente ao telefone. Mais uma meia hora depois, a desgraçada liga outra vez, agora em lágrimas, a dizer que estava no meio de uma estrada onde só via floresta, que o taxista não atinava com o caminho e que não falava com ela. Eram umas 4 da manhã, a cidade está rodeada por várias florestas e não sabiamos onde ela tinha ido parar. Falamos com o taxista e dissemos para a trazer de volta a nossa casa, ao lugar onde nos tinha deixado e que se ela não chegasse dentro de 15 minutos alertavamos a polícia para ir atrás dele. O sujeito diz que não sabe onde está, que não se lembra onde nos deixou e que vai tentar parar numa estação de serviço e perguntar. Que raio de situação! Passado quase uma hora, chega a nossa amiga, em estado de choque, num carro da polícia. O taxista pelos vistos continuou às voltas indefinidamente, até que uma operação stop o mandou parar. Em vez disso ele acelerou e ela em pânico abriu a janela e começou a gritar. Foram perseguidos pela polícia (que surpreendentemente fez um excelente trabalho :)) e quando o táxi finalmente parou providenciaram um carro para a trazer a nossa casa e até hoje não sabemos o que aconteceu ao raio ao homem. Espero que esteja a arder no inferno dos taxistas! Depois deste episódio resolvemos tomar precaussões: nunca fica uma rapariga sozinha para o fim da viagem à noite (se isso acontecer a que mora mais longe dorme em nossa casa) ou então vamos com um dos amigos homens que conhecemos, o que é muito sexista… mas enfim, a situação pede medidas extremas!
A outra experiência, que se passou comigo e com um amigo columbiano foi mais hilariante, mas com o passar do tempo quase terminou em tragédia porque eu já estava capaz de esganar o taxista. Era domingo, queríamos ir à Nairobi Gallery para ver uma exposição de fotografia. Entramos no táxi, informamos qual o nosso destino e o homem pergunta com a maior naturalidade do mundo “Onde fica?”. O meu amigo diz que se soubesse não precisava de um táxi, que era um lugar turístico, no centro da cidade, num edificio antigo com 200 anos (o que aqui é suposto ser uma referência porque não deve haver mais nenhum). O taxista diz que só pode ser o Nairobi Museum e que nós devemos estar a fazer confusão com o nome. “Não!”, diz o meu amigo. “Nós conhecemos o Nairobi Museum e sabemos exactamente onde queremos ir. Você não tem um mapa?” Nesta altura, eu já me revirava no banco e mordia a língua para não lhe rosnar. Note-se que todo este diálogo se passou com o carro em andamento pela cidade sem a criatura saber para onde ir… e claro que não tinha um mapa! O taxista começa a parar junto de outros táxis para perguntar. Ninguem sabia onde era. E quase todos diziam que os mzungos estavam confundidos, que só podia ser o Nairobi Museum. Mais de meia hora depois, na entrada do Nairobi Museum (que o taxista era teimoso com um burro!), depois de reafirmarmos que não era aquele o lugar ele pega no telemóvel, busca um número e diz ao meu amigo para ligar do seu próprio telemóvel e depois deixá-lo falar com alguem que supostamente o iria informar. Eu fiquei calada como um rato a ver o Alex a marcar o número e passar o telefone. Claro que também não serviu de nada. Entretanto, o meu amigo (com demasiada serenidade para o meu gosto) lembra-se que tem o portátil e que pode ligar-se à internet e manda parar tudo até ele descobrir o endereço. Claro que descobre rapidamente e mostra-lhe fotos e tudo. Eu continuava caladita, a retorecer-me no banco. O taxista reconhece o local, mas insiste que aquilo não se deve chamar bem como nós lhe dissemos, deve ter outro nome (ai, o caraças!) e que afinal era perto de onde nós partimos há mais de uma hora.
Quando finalmente chegamos à National Gallery, que estava prestes a fechar, porque andamos às voltas na cidade estupidamente, eu não me consegui conter mais. Como tinha estado sempre caladinha, a deixar “os homens” resolver o problema, dava-me uma coisinha má se não mordesse nas canelas do sujeito. Fiz sinal ao meu amigo para sair que eu pagava e depois faziamos contas e disse simplesmente ao taxista que, daquela viagem não ia ver nem um tostão, para aprender ser profissional. Ele reclamou incrédulo, começou a levantar a voz eu disse-lhe que se quisesse podia chamar a polícia que eu tinha todo o gosto em lhes dizer como tinhamos andado mais de uma hora com um taxista incompetente a fazer-nos perder tempo e que da próxima vez que se lembrasse dos mzungos palermas que não lhe pagaram, que fosse mas é comprar um mapa e tivesse vergonha na cara. Quando saí do carro a criatura resolveu rogar-me uma praga (que meeeedo!) e eu que já estava a deitar fumo pelos olhos virei-me para ele e disse-lhe para nem se atrever, que ele não sabia com quem se estava a meter, nem quanto as pragas portuguesas eram poderosas e quanto os meus antepasssados o podiam perseguir até ao fim da vida para nunca mais ter um único cliente dentro daquele táxi! Não foi bonito, mas foi eficaz. Ele calou-se, olhou para mim, meteu-se no carro e arrancou a todo o gás!

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5 Respostas

  1. LOlllllllllllllllllll! Demais esta segunda aventura, tu mereces um prémio, o Quénia nunca há-de ser o mesmo depois da passagem desta mzunga lol Agora quanto à 1ª 😛 melhor mesmo vocês não andarem por aí sozinhas k taxistas supostamente “perdidos” e desvairados e melhor tu não contares + histórias destas que a Zimbie cancela já a ida LOL! Bjs e até breve 🙂

  2. Rakel,Bem, eu nunca mais vou ser a mesma… agora o Kenya, não sei! É pá eu sou uma rapariga sossegada mas isto aqui tira-me do sério :). Haja paciência e bom humor, senão fico tolinha.A Carlota Joaquina, não vai é querer ir embora LOL Hakuna matata (No worries)Beijinhos e até breve.(Eu estou a adorar a experiência mas vai saber-me tão bem regressar durante uns dias :)!)

  3. minha querida rakel, com uma acompanhante e guia como a nossa african queen, achas que me assusto?! já viste como ela lida com as situações?! estou mas é a contar os dias até ir 🙂 é que a AQ é a santa padroeira e protectora das zimbies deste mundo, com pragas portuguesas (ou multilingues) poderosas!

  4. Chiça, que medo! :/ A vossa amiga deve ter apanhado o susto da vida dela.

  5. ZimbieTás por minha conta! Hakuna matata (no worries)SarinhaEu nem quero imaginar. Foi mesmo um susto do caraças.

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