KAREN, O LADO MAIS BURGUÊS DA CIDADE

É a parte mais rica de Nairobi. A maioria dos habitantes são descendentes de antigos colonos, uma pequena percentagem são novos ricos, as propriedades são enormes e alguns dos restaurantes e bares da moda estão aqui, integrados em jardins maravilhosos, com decorações de cortar a respiração e a fazer-nos sentir quase noutro país. É aqui o cume dos contrastes da cidade.
Usufruir de todo este luxo, conforto, bom gosto e bem-estar tão perto de bairos de lata e de gente que vive com menos de 50 euros por mês, provoca-me crises existênciais e taquicardia.
Mas tenho de confessar que aproveitar um belo domingo se Sol, como o que passou para almoçar no jardim do Talisman (em cima) e provar o maravilhoso sushi e chamuças de coentros e feta na companhia de um belo vinho branco italiano, seguido de capuccino e bolo de chocolate no Karen coffee house (em baixo) junto a uma árvore de jasmim completamente florida que enchia o ar de um aroma doce e suave… quase que faz esquecer o lado pobre da cidade, e por umas horas sentimo-nos simplesmente privilegiados!
Agora para me livrar do sentimento de culpa vou passar a semana a andar de matatu e a comer em casa… porque, convenhamos que apesar de europeia sou patrocinada pela FCT ( não pelas Nações Unidas, como muita gente que anda por Karen) e o meu orçamento não é suficiente para andar pelo distrito muitas vezes :).

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NOTÍCIA DO DIA

O Quénia tem um estádio nacional degradado e miserável e não tem orçamento para o remodelar ou sequer manter.
A Coca Cola Company não tem nenhum estádio, mas tem muito dinheiro.
O próximo campeonato do mundo de futebol na África do Sul vai atrair muita atenção desportiva para a região.
O governo do Quénia fez um contrato de muitos milhões de Sh com a Coca Cola para a empresa patrocinar a remodelação do estádio nacional.
O casamento parecia perfeito, os noivos estavam felizes mas foi tudo cancelado antes mesmo de começar.
A Coca Cola só avança com o patrocínio se o governo aceitar mudar o nome do estádio nacional (do qual não me recordo agora) para Coca Cola National Stadium. O Governo diz que nem pensar. O povo tá chateado porque quer é bola.
É estranho ninguém ter falado nisto antes de assinarem o contrato. A Coca Cola exige uma pipa de massa ao governo por quebra de contrato. Eu acho que alguém deve andar a ganhar dinheiro público com esta treta e só penso “Meu rico estádio do Dragão! A tristeza que era ver o glorioso FCP a jogar num estádio Coca Cola”.

THE BUS EXPERIENCE

A saga dos transportes continua. Hoje tive de ir ao distrito de Karen fazer uma entrevista e como é uma zona muito periférica da cidade (recordo que se chama Karen por causa da Karen Blixen, que tinha aqui a sua “farm in africa”) fica caríssimo vir de táxi. Assim o melhor é ir de autocarro ou matatu e depois lá andar de táxi.
Normalmente eu uso os matatus (aka hiaces) porque os autocarros apesar de nos parecerem mais familiares e seguros não são. Tal como os primeiros estes também circulam a desfazer-se e a alta velocidade e se uma pessoa calha, por exemplo, de estar num dos bancos do fundo e tem de se levantar para sair corre o risco de acabar no colo de alguem ou a voar por uma janela fora. Os matatus aproveitam melhor a força da gravidade e quando uma pessoa vai no fundo, tem de sair toda a gente primeiro para nos dar passagem. Mas isto não interessa nada. O que interessa é que no regresso de Karen assisti a uma cena que já me tinham dito que era frequente nos autocarros.
Ora estou eu sentadinha junto à saída, bem instalada, o autocarro vai cheio e a todo o gás pela Ngong Road abaixo, quando se levanta uma senhora que ia dois bancos mais à frente. Levanta-se mas em vez de se preparar para sair, não, vira-se para trás, apoiada nas costas do banco (fica portanto de frente para mim) e eu apanho um grande susto porque se estava mesmo a ver pela cara dela que não tinha o juizinho todo… e curiosamente… reparei eu, usava uma daquelas tiras brancas no pescoço como os padres católicos. Eu olho para a janela a ver a paisagem e então começa o sermão. A senhora… pastora, angariadora de almas, pregadora… não tem mais nada, abre a Bíblia, enche os pulmões de ar e começa a pregar apaixonadamente (leia-se aos berros e muito expressivamente) até ficar roxa. Pelos visto só eu é que achei a coisa um bocadinho estranha. Até houve quem lhe desse moedinhas!! Eu pela minha parte só lhe pagava se ela se calasse porque foi mais de meia hora de sermão até chegar a casa.
Eu não acho bem usarem os transportes públicos para dar sermões às pessoas. É muito esquisito e dá vontade de rir, num contexto em que se sente no ar a ameaça da fogueira, para o desgraçado do herege incauto que ouse dar umas gargalhadas. Definitivamente a malta aqui tem pouco sentido de humor! Eu liguei o Ipod e vim parte da viagem a ouvir os Moonspel para equilibrar a coisa.

TAXI EXPERIENCE

Em Nairobi andar de taxi é caro, os taxistas conduzem como loucos, algumas viaturas parece que se vão desintegrar durante a viagem (se bem que outras são cinco estrelas) e é preciso negociar sempre o preço da viagem antecipadamente. No entanto, são imprescindíveis quando se sai à noite ou quando queremos chegar a uma determinada hora ao lado oposto da cidade.
Quase todas as viagens de táxi têm história e já me aconteceu quase tudo, desde ficar parada no meio de nenhures sem gasolina (felizmente durante o dia) até andar tempos infinitos à procura de uma rua porque a expressão “não sei” é inexistente no vocabulário dos taxistas. Mas esta semana aconteceram duas experiências que de tão insólitas merecem lugar de destaque aqui no blogue.
Uma aconteceu comigo… outra com uma amiga. Comecemos pela segunda.
Eramos 3 raparigas. Saímos para jantar, dançar e assistir a um concerto e no final apanhamos um táxi para casa. Eu e a minha colega viemos para nossa casa e o táxi depois seguiu para levar a nossa amiga. Certificamo-nos que ele tinha percebido bem onde ela morava (a 5 minutos de nós), despedimo-nos e fomos dormir. Meia hora depois ela liga-nos nervosa porque o taxista andava perdido e ela não lhe conseguia explicar onde morava porque também já tinha perdido a noção de onde estava. Lá lhe tentamos explicar novamente ao telefone. Mais uma meia hora depois, a desgraçada liga outra vez, agora em lágrimas, a dizer que estava no meio de uma estrada onde só via floresta, que o taxista não atinava com o caminho e que não falava com ela. Eram umas 4 da manhã, a cidade está rodeada por várias florestas e não sabiamos onde ela tinha ido parar. Falamos com o taxista e dissemos para a trazer de volta a nossa casa, ao lugar onde nos tinha deixado e que se ela não chegasse dentro de 15 minutos alertavamos a polícia para ir atrás dele. O sujeito diz que não sabe onde está, que não se lembra onde nos deixou e que vai tentar parar numa estação de serviço e perguntar. Que raio de situação! Passado quase uma hora, chega a nossa amiga, em estado de choque, num carro da polícia. O taxista pelos vistos continuou às voltas indefinidamente, até que uma operação stop o mandou parar. Em vez disso ele acelerou e ela em pânico abriu a janela e começou a gritar. Foram perseguidos pela polícia (que surpreendentemente fez um excelente trabalho :)) e quando o táxi finalmente parou providenciaram um carro para a trazer a nossa casa e até hoje não sabemos o que aconteceu ao raio ao homem. Espero que esteja a arder no inferno dos taxistas! Depois deste episódio resolvemos tomar precaussões: nunca fica uma rapariga sozinha para o fim da viagem à noite (se isso acontecer a que mora mais longe dorme em nossa casa) ou então vamos com um dos amigos homens que conhecemos, o que é muito sexista… mas enfim, a situação pede medidas extremas!
A outra experiência, que se passou comigo e com um amigo columbiano foi mais hilariante, mas com o passar do tempo quase terminou em tragédia porque eu já estava capaz de esganar o taxista. Era domingo, queríamos ir à Nairobi Gallery para ver uma exposição de fotografia. Entramos no táxi, informamos qual o nosso destino e o homem pergunta com a maior naturalidade do mundo “Onde fica?”. O meu amigo diz que se soubesse não precisava de um táxi, que era um lugar turístico, no centro da cidade, num edificio antigo com 200 anos (o que aqui é suposto ser uma referência porque não deve haver mais nenhum). O taxista diz que só pode ser o Nairobi Museum e que nós devemos estar a fazer confusão com o nome. “Não!”, diz o meu amigo. “Nós conhecemos o Nairobi Museum e sabemos exactamente onde queremos ir. Você não tem um mapa?” Nesta altura, eu já me revirava no banco e mordia a língua para não lhe rosnar. Note-se que todo este diálogo se passou com o carro em andamento pela cidade sem a criatura saber para onde ir… e claro que não tinha um mapa! O taxista começa a parar junto de outros táxis para perguntar. Ninguem sabia onde era. E quase todos diziam que os mzungos estavam confundidos, que só podia ser o Nairobi Museum. Mais de meia hora depois, na entrada do Nairobi Museum (que o taxista era teimoso com um burro!), depois de reafirmarmos que não era aquele o lugar ele pega no telemóvel, busca um número e diz ao meu amigo para ligar do seu próprio telemóvel e depois deixá-lo falar com alguem que supostamente o iria informar. Eu fiquei calada como um rato a ver o Alex a marcar o número e passar o telefone. Claro que também não serviu de nada. Entretanto, o meu amigo (com demasiada serenidade para o meu gosto) lembra-se que tem o portátil e que pode ligar-se à internet e manda parar tudo até ele descobrir o endereço. Claro que descobre rapidamente e mostra-lhe fotos e tudo. Eu continuava caladita, a retorecer-me no banco. O taxista reconhece o local, mas insiste que aquilo não se deve chamar bem como nós lhe dissemos, deve ter outro nome (ai, o caraças!) e que afinal era perto de onde nós partimos há mais de uma hora.
Quando finalmente chegamos à National Gallery, que estava prestes a fechar, porque andamos às voltas na cidade estupidamente, eu não me consegui conter mais. Como tinha estado sempre caladinha, a deixar “os homens” resolver o problema, dava-me uma coisinha má se não mordesse nas canelas do sujeito. Fiz sinal ao meu amigo para sair que eu pagava e depois faziamos contas e disse simplesmente ao taxista que, daquela viagem não ia ver nem um tostão, para aprender ser profissional. Ele reclamou incrédulo, começou a levantar a voz eu disse-lhe que se quisesse podia chamar a polícia que eu tinha todo o gosto em lhes dizer como tinhamos andado mais de uma hora com um taxista incompetente a fazer-nos perder tempo e que da próxima vez que se lembrasse dos mzungos palermas que não lhe pagaram, que fosse mas é comprar um mapa e tivesse vergonha na cara. Quando saí do carro a criatura resolveu rogar-me uma praga (que meeeedo!) e eu que já estava a deitar fumo pelos olhos virei-me para ele e disse-lhe para nem se atrever, que ele não sabia com quem se estava a meter, nem quanto as pragas portuguesas eram poderosas e quanto os meus antepasssados o podiam perseguir até ao fim da vida para nunca mais ter um único cliente dentro daquele táxi! Não foi bonito, mas foi eficaz. Ele calou-se, olhou para mim, meteu-se no carro e arrancou a todo o gás!

CONVERSAS DE CAFÉ

(Conversa com um amigo dos meus house mates)
– I really like you but you have a problem… you’re intelligent.
– Yep! And you are not. That is your problem!

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(na sequência de uma interessante discussão sobre a homossexualidade)
– In London, my sister once saw two women kissing passionately in the street, and she was with her youngest kid who asked what the two ladies were doing. What would you answer?
– I’de say they love each each other and that they are very lucky to live in a place where they can express their feelings.
– Are you a Lesbian???

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(espécie de “intervenção” realizada pela minha house mate)
– Gabriela, you must be aware that here if you are polite and honest people will automatically consider you are stupid.
– Then it will be easy for me to select those that really interest me and ignore all the other.

A PERGUNTADORA E O POLÍCIA

Já tardava o meu encontro com as autoridades! É famosa a minha relação amistosa e estranha com os agentes policiais, mas aqui no Quénia, as pessoas fogem deles como o diabo da cruz. Aqui a polícia só serve para extorquir dinheiro aos cidadãos mais incautos que não tiveram a sorte de evitar o encontro. Todos temem a polícia pois sabem que vão inventar o que for preciso para extorquir um “donativo” e os deixarem seguir em paz.
Até ontem tinha conseguido evitá-los mas eis que o receado confronto surge quando menos se espera.

Local: Entrada principal do Yaya Center
Horário: 21h
Motivo: A aguardar alguns amigos para sairmos juntos
Descrição da situação (o mais possível fiel aos acontecimentos):

Enquanto esperava a Perguntadora resolveu acender um cigarro e eis que, para seu espanto, começa a ver um agente da autoridade a deslocar-se perigosamente na sua direcção. Ela olha em volta a ver se mais alguém podia ser alvo da atenção da criatura, mas não, está completamente sozinha.
– Boa noite! – cumprimenta o polícia respeitosamente.
– Boa noite, posso ajudá-lo em alguma coisa? – pergunta a Perguntadora com o sorriso mais angélico do mundo como se estivesse pronta para ajudar o polícia a prender alguém.
– É proibido fumar! Faz mal à saúde! – Diz ele de rajada como se as duas frases fizessem muito sentido juntas.
– Sim, eu sei que tenho de largar o vício e olhe que até fumo muito pouco, mas olhe… eu estou na rua. Não estou a incomodar ninguém, – responde ela respeitosamente numa tentativa de criar empatia com o polícia.
– Mas a senhora não sabe que no Quénia é proibido fumar na rua??? Dentro do shopping nas lojas que o permitem pode fumar, agora na rua é que não! Vou ter de a multar.
(Aiiiiiii, olha-me este disparate… agora é que estou feita) Pensou a Perguntadora.
– E sabe que a multa é muito alta?… e eu não posso fazer de conta que não a vi a violar a lei, – afirma o polícia cheio de autoridade.
– Claro, o senhor tem de fazer o seu trabalho!… Mas se reparar bem eu não estou na rua, estou debaixo da cobertura da entrada do centro comercial e portanto estou tecnicamente em terreno neutro. Não estou dentro nem fora! – responde a Perguntadora impulsivamente, com a maior lata do mundo e um sorrido encantador. (E sem nunca apagar o cigarro note-se!)
O polícia olha para um lado e para o outro. Vê-se que está confuso. Entretanto, o cigarro chega ao fim e a Perguntadora ataca sem dó nem piedade novamente.
– Deixe lá senhor polícia, olhe… apesar de eu não ter violado nenhuma lei foi um prazer falar consigo. Acabou por me fazer companhia enquanto espero pelos meus amigos e a sua presença fez-me sentir muito mais segura. Nada acontece por acaso! E olhe, o meu cigarro acabou… não há cinzeiros?!… vai-me multar se eu o apagar no chão? – dispara a Perguntadora.
– Não!?… – responde hesitante o polícia muito baixinho.
– Bem, chegaram os meus amigos. Foi um prazer falar consigo! Obrigada pela companhia e pela informação. Agora já sei que é proibido fumar na rua. Tenha uma noite! – diz a Perguntadora estendendo a mão para cumprimentar o policia e afastando-se em seguida na direcção dos amigos que finalmente chegavam.

Moral da história: Seja em Portugal ou no Quénia o que é preciso é ter lata, ser muito simpática e pensar rapidamente. Na maioria dos casos funciona!

O MATA E A GUERRA DOS SEXOS

Parece que se trata de brincadeiras mas, infelizmente, são questões muito sérias. Na sequência dos conflitos pós-eleitorais em 2007, os líderes dos dois principais partidos resolveram a questão com a criação de uma coligação governamental encabeçada por dois homens, o actual presidente Kibaki e o actual primeiro ministro Raila Ondinga. Mas a convivência dos dois tem sido difícil. Entre conflitos de interesses, protagonismos, favoritismos e escândalos financeiros e pessoais, o Quénia vive na iminência de o governo cair e serem convocadas eleições antecipadas. Não me lembro de dia nenhum em que os jornais não apresentem grandes cabeçalhos sobre a crise da coligação. É um verdadeiro jogo do Mata, aquele que estes dois senhores jogam, a ver quem morre primeiro. O problema é que o país ainda não recuperou da violència pós eleitoral, ainda não se pacificou nem se reconciliou e o fantasma dos conflitos étnicos, aguçados pelo perverso jogo destes dois políticos, pairam como uma ameaça constante à paz e à democracia.
Tudo piora quando se recorre a estratégias absurdas para alimentar este jogo e entreter o povo. Durante a última semana, o país viu-se mergulhado numa verdadeira Guerra dos Sexos, quando um grupo de mulheres ilustres anunciou a Greve do Sexo durante uma semana, como forma de protesto de todas as mulheres do Quénia contra a instabilidade da coligação. Também parece uma brincadeira, mas infelizmente não é. Durante uma semana, o Kibaki e o Ondinga (cuja própria senhora veio a público dizer que nessa semana o primeiro-ministro seria privado dos seus”direitos conjugais”) viram as atenções centrarem-se naquilo que acabou por ser interpretado como um disparate de meia dúzia de feministas e que acabou por elevar o sexo ao estatuto de arma. Num país onde a violência sobre as mulheres é socialmente aceite eu pergunto-me quantas terão poder para gerir a sua sexualidade e negar aos seus parceiros aquilo, que para eles é considerado um direito legítimo, em nome da estabilidade de um governo que nada faz para as proteger. Para quem leva uma tareia por não ter a comida na mesa à hora certa, a ideia de dizer “não” ao sexo exigido pelo parceiro, não deve parecer muito boa ideia. Por outro lado, mesmo que a maior parte das mulheres pudesse recorrer à sua sexualidade como se de uma arma se tratasse, isso não legitimaria também o mesmo recurso por parte dos homens? E depois assiste-se ao absurdo do senhor fulano de tal que resolveu processar o grupo de mulheres que lançou a campanha, porque como esteve sem sexo durante uma semana sentiu-se muito mal, subiu-lhe a tensão, apareceram-lhe terríveis dores de cabeça e coitado, não aguenta com dores nas costas, tudo, segundo ele, porque a sua Maria se recusou a cumprir as suas obrigações conjugais. E é absurdo um suposto grupo de feministas, lançar uma campanha deste género, recorrendo ao sexo como arma por uma semana, validando assim, as “obrigações” a que as mulheres estão sujeitas no seu dia a dia. Como se o sexo fosse uma cláusula contratual aceite por todos e apenas violada durante uma semana para desviar a atenção do ridículo dos políticos para pôr a ridículo as mulheres.
Felizmente, muitas mulheres também se revoltaram contra esta campanha e tentaram elevar a discussão a um nível mais sério, mais útil e mais eficaz, mas o estrago já estava feito.