INSÓLITOS


1. Alguns hospitais e centros de saúde têm “gender violence specific facilities”. A primeira vez que vi isto escrito entre “Oftalmologia” e “Cardiologia” achei que estava a ter alucinações. Ajuda a perceber a dimensão do problema, certo? É inacreditável!

2. Hoje almocei com os meus amigos italianos de Nanyuki, que vieram a Nairobi. Fiquei a saber, que uma das crianças seropositivas, orfãs, da casa que eles gerem, morreu esta semana enquanto passava as férias da Páscoa em casa da avó. Morreu porque ficou com malária e a avó teve vergonha de dizer no hospital que a criança era seropositiva e portanto ela recebeu o tratamento errado. É insólito, estúpido e deixa-me muito zangada.

3. Ontem passei no Edifício da Imigração que tem sempre montes de gente à porta e uma quantidade absurda de militares armados até aos dentes. Ia com headphones a ouvir música quando resolvi atravessar o jardim do edifício para cortar caminho e portanto não ouvi ninguém a chamar-me. Fiquei parada no meio do caminho, quando vi um militar a encostar o cano da arma ao pescoço de um sujeito, branco (é esta a parte insólita, repare-se, porque se fosse negro era normal), que ia todo lampeiro a entrar no edifício. Nessa altura tirei os headphones e ouço outro militar aos berros de arma na mão a vir ter comigo. Era hora de almoço e o serviço ia fechar e não era suposto entrar ninguem… nada de mais!

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5 Respostas

  1. Caramba… 😦 Beijo grande e muita força!

  2. Estive (só) 3 semanas em S.Tomé no ano passado, em voluntariado, e vi/senti coisas que me estão cunhadas para toda a vida. Quero voltar! Mas também não me importava de ir para o Quénia, trabalhar com esses amigos italianos, ajudar as crianças… Um bom acordar diário para suportar todas essas experiências 🙂

  3. Então tu agora dás música à autoridade… e logo ao almoço…Olá 🙂 :)Tenho lido as tuas aventuras aos pouquinhos… e percebo porque gostas de estar aí – vives mais nestes meses do que a maioria ao longo de uma vida.Fica bem.Um beijinho grandeManuel

  4. SarinhaYep… às vezes as coisas são difíceis como o caraças :).Obrigada pela força!DaniMuito haveria que dizer sobre a questão que colocas. Diz-me a experiência que podemos fazer a diferença onde quer que estejamos e que há quem precise da nossa ajuda em qualquer lugar, provavelmente aí mais do que aqui. Aqui a “ajuda” é uma verdadeira industria, muitas vezes perversa que mina o desenvolvimento do continente. Eu, não estou cá a ajudar ninguém (não mais do que estaria noutro lugar qualquer com as pessoas que se cruzam no meu caminho). Estou cá por mim, porque eu gosto do desafio de ser confrontada com a diferença, porque isso me ajuda a mim a crescer. Estou a fazer investigação porque quero saber mais sobre determinados contextos e realidades. Como vez é uma postura bem egoísta :).Os meus amigos italianos trabalham para a COSVI, uma ONGD italiana. Não sei como funciona o voluntariado com eles… mas o Google é um mundo :), procura o site e vê se te pode interessar.Obrigada pelos votos de bom acordar, bem preciso, que eu não sou uma mocinha das manhãs LOL.Beijinhos e volta sempre!Manel, meu querido, que bom ver-te por cá :)És um moço perspicaz carago! Tiraste-me logo a pinta 🙂 É mesmo isso, tu sabes, apesar de todos os contrastes, de tudo o que estas experiências têm de bom e de mau, a mim faz-me falta o desafio de viver estas coisas todas. Mas olha estou cheia de saudades e ando com desejos de francesinhas :), não é bonito!Beijinhos e até breve!

  5. 😦 Tão difícil saber/ver essas coisas…Beijinhos

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