QUE NUNCA NOS FALTE LIBERDADE!


Hoje é um dia importante no país onde nasci. É importante para todas as mulheres porque têm direitos iguais, para todas as crianças que podem ir à escola, para todas as pessoas que podem ser o que lhes der na real gana, para todas as pessoas que podem defender as causas que bem entenderem e para todas as pessoas que podem manifestar-se, criticar e opinar sem serem abatidos pela polícia à queima-roupa ou detidos sem culpa formada. É importante para a Esquerda e para a Direita porque podem coexistir.
Sempre achei o 25 de Abril um dia importante, mas nunca como este ano. Há muitas coisas que estão mal, todos sabemos. Também preferia ter um ensino de qualidade em vez de ter ensino obrigatório até aos 18 anos para embelezar as estatísticas. Gostava que houvesse mais equilíbrio social, mais oportunidades, menos preconceitos. Gostava que o meu país fosse melhor. Gostava de ter melhores políticos e melhores cidadãos.
Mas hoje estou longe de casa, num país fascinante que estou a descobrir aos poucos, mas onde há várias coisas que me incomodam. Todas elas têm a ver com a falta de liberdade. Incomoda-me um líder estudantil ser impedido de completar a sua formação por se ter manifestado, incomoda-me a homossexualidade ser um crime, incomoda-me as mulheres não terem direitos iguais e serem constantemente vítimas de violência, incomoda-me o fanatismo religioso que impõe códigos morais castradores e que atentam contra a liberdade individual, incomodam-me os preconceitos relativamente a tudo o que foge à norma e incomoda-me bastante que me chamem mzungu, que significa europeu, mas que na verdade serve para denominar todos os brancos. Se o significado fosse literal, seria motivo de orgulho para mim, porque é o que eu sou – Europeia – cada vez mais, sempre que me confronto com outras culturas. Assim não.
São tantas as faltas de liberdade que me incomodam que me lembrei especialmente de casa, hoje.
E assusta-me que na maior parte do mundo a liberdade seja um bem cada vez mais escasso. Podia fazer-se com as revoluções o que alguns casais apaixonados fazem com os casamentos: renovar os votos. Eu quero renovar os votos da revolução francesa para que na Europa nunca nos falte liberdade, nem igualdade, nem fraternidade.

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2 Respostas

  1. Ena! Acho que este foi um dos textos mais fantásticos que li sobre o 25 de Abril, um dos poucos feriados a que realmente dou importância. 🙂 Sincero e sentido. Parabéns, Gabriela. 🙂

  2. Que belo texto, minha querida! Parabéns, está muito bem escrito e reflecte tudo o que as revoluções e independências deveriam representar para os povos. Continuaremos a sonhar e acreditar que as coisas podem melhorar, que as sociedades se possam transformar.

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