UM SÁBADO DIFERENTE DOS OUTROS


Depois de uma semana dura de trabalho achei que merecia uma folga e combinei com a minha colega do curso de swahili um safari fotográfico pelo Santuário das Borboletas, nos arredores de Nairobi. Ainda tinha pensado ir ver leões e rinocerontes ao Parque Nacional de Nairobi, mas o meu estado de espirito estava mais virado para as borboletas e depois de ter lido sobre o santuário, não me restaram dúvidas de que seria a melhor opção para o meu belo sábado. Acordamos cedinho e apanhamos o matatu (a célebre toyota hiace) para o distrito de Karen (assim chamado por causa da Karen Blixen, sim, a do África Minha – cuja quinta era mesmo nesta zona). Nada melhor do que começar o dia ao som do mais urbano hip hop, literalmente aos berros, esmagada no meio de mais 18 pessoas que seguiam viagem num carro para 12. Tudo pelas borboletas! O distrito de Karen, na periferia da cidade, concentra a maior parte de expatriados e europeus que têm aqui quintas e casas enormes, e portanto ao longo da estrada só se veem sebes e muros a ocultar as propriedades.

Eis que chegamos ao Santuário das Borboletas e depois de nos desembrulharmos e sairmos do matatu, demos por nós no meio do nada, em frente a um portão, sem qualquer indicação. Entramos! E depois de muito andar sem ver borboleta nenhuma, vemos aproximar-se um jipe. Quando perguntamos pelas borboletas o condutor desfez-se em desculpas e explicou-nos que o santuário fechou há…. e reparem bem… nem um, nem dois, nem mesmo três… mas cinco anos. A coisa não existe há cinco anos! E ainda ninguem se lembrou de a retirar dos mapas e dos guias turísticos! Ora bem, sem borboletas à vista e no meio de nenhures, valeu-nos a boleia do Richard que se ofereceu para nos levar ao cruzameento no centro de Karen e chamou um taxista para nos andar a passear pelo distrito, o resto da manhã, por um preço amigo. (O Richard é o cientista das borboletas, que estuda espécies de borboletas africanas e que teve de desistir de ter uma parte aberta ao público porque o estado lhe quis cobrar uma fortuna… enfim!)
Dali abala
mos então para o Centro das Girafas. É um lugar engraçado, feito de maneira a que as pessoas possam acariciar e alimentar os animais ao mesmo tempo que observam o seu habitat. Eu achei tudo muito bem, mas nada de tocar no bicho. É maior que eu e eu tenho muito respeitinho por bicharada com mais de 1,70. O Centro tem também uma esplanada simpática de onde se podem ver os animais e vários trilhos pela floresta para quem os quiser ver mesmo de perto. Ora está claro, que eu não podia ter ficado quietinha a beber um sumito natural e a ver as girafas a uma distancia segura. Claro que não! Podia lá ser? Lá nos metemos cheias de entusiamo pelo trilho e lá fomos fotografando o que nos aparecia pelo caminho até que nos perdemos… é verdade. Aquilo era mais um labiribnto de trilhos do que outra coisa e nós, entretidas a tirar fotos aos bichinhos, ao mesmo tempo que tentavamos evitar cobras e outros bichos menos simpáticos, quando demos conta não faziamos a mínima ideia de onde estávamos nem de como sair dali e o calor começava a apertar. E foi então que os arbustos se começaram a mexer e as folhas secas a fazer barulho e eu com o coração aos saltos e a máquina apontada e focada vejo uma girafa descomunal a vir na minha direcção. Ora eu sei que o bicho só come verdagens, mas convenhamos que se ela, sei lá, tropeçasse em mim, era capaz de causar alguns danos. Além disso havia montes de avisos para se manter uma distância de 15m das girafas o que é difícil quando nós nos tentamos afastar e elas continuam a aproximar-se. A minha colega tinha desaparecido aos gritos e eu lá tentei com grande dificuldade manter a girafa à distância recomendada. Quando finalmente encontro a Julie, olho para trás e vejo a desavergonhada da bicha a insistir na aproximação e nisto volto a ouvir gritos, viro-me e vejo outra girafa a sair dos arbustos. Entaladas entre duas girafas enormes no meio de um trilho estreito com uma colega a gritar, só me restava aproveitar o momento para tirar fotografias. E foi o que fiz. Consegui tirar belos grandes planos sem zoom e no meio da emoção, já em fuga para a saída, porque finalmente tinhamos dado com o trilho certo, eis que vejo A BORBOLETA. Parecia que estava ali de asas abertas só à minha espera para a fotografar. É claro que o facto de estar a ser perseguida por duas girafas não me deixou focar a borboleta tão bem quanto gostaria.
E eis que, já quase a sair do trilho chega a terceira girafa… foi um bocadinho exagerado
. Eu naquela altura já nem as podia ver e a minha colega tinha-se evaporado. Guardei a máquina fotográfica para andar mais ligeira e saí dali para fora. Escusado será dizer que quando nos vimos em segurança muito nos rimos do encontro com as girafas e depois fomos a outros sítios e fizemos compras e tudo mas sobre isso já não há nada para contar.
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6 Respostas

  1. lolol! doidas, meterem-se no meio do mato com bicharada à solta 🙂 mas que experiência tão gira! a parte de se perderem, se calhar menos, mas perfeitamente secundário em relação ao resto ;). Eu tocava nas girafas, ora bolas, uma oportunidade única! a textura nunca é o que esperamos, é tão engraçado… bela aventura 🙂

  2. Mas que grande aventura e susto não! Esses animaizinhos são tão lindos! Vai escrevendo que gosto muito das tuas crónicas e aqui vai o desafio … escreve o romance dos 180 dias no Quénia (isto na melhor das hipotese de serem só 6 meses!)

  3. rica aventura…tu não páras!!!mas esta deve ter sido fixe…vai relatando tudo, que a malta adora ler as tuas histórias, que contas tão bem!!!continua a divertir-te…mas quando fores aos leões, não te percas no meio deles, é que não deve ser bonito ficar entalada entre 2 leõezitos…e eu não quero ficar sem maninha tão cedo! é que aí a aventura era deles, que belo manjar teríam!!! 😉 cuida-te!

  4. ZimbieFoi uma experiência bem gira, sim senhora. A parte de fazer festas e tal é que já é demais para mim. Tu sabes aquela minha teoria “pode ser tarantula, escorpião… whatever, se eu for maior que o bicho eu mato… tem o reverso da medalha…. digamos que se o bicho for maior que eu não me sinto confortável” :)Vais vê-las com os teus olhos brevemente… descansa LOLFernandaFoi um susto engraçado. Para quem ia preparada para fotografar borboletas, acabar o dia a fugir de girafas só pode dar para rir, claro. “Os 180 dias no Quénia” é uma bela ideia e os desafios para escrever são muitos… acho que vou escrever a tese em jeito de relato de viagem :)E ainda não sai da grande cidade… dia 12 vou para o Monte Quénia (as comunidades que vou estudar estão estrategicamente localizadas) e aí é que vai ser :)Beijinhos! ManinhaFizeste bem em lembrar a questão dos leões… é que noutras paragens já me aconteceu isto com um rinoceronte e aí sim, foi um belo susto…. agora com leões é melhor não me meter. Diga-se de passagem que o manjar deles tb não ia ser assim tão substancial… é que vocês sabem que África fica-me bem… sabe-se lá porquê dá-me na elegância LOL e conforme o tempo vai passando os leões vão tendo menos chicha.Beijinhos e falamos no skype amanhã!

  5. LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL”entre duas girafas enormes no meio de um trilho estreito com uma colega a gritar, só me restava aproveitar o momento para tirar fotografias”Eu tenho dado cada gargalhada contigo linda. Nem tu imaginas!Pena que não tenhas visto as borboletas mas o dia foi em cheio. Ah!E andar a passear de táxi não é para quem quer é para quem pode 😉 TEASING YOU!CONTINUA a escrever.Beijinhos

  6. Iam ver borboletas, mas encontraram um bichito ligeiramente maior… :)))) E logo três delas! Que aventura! :)))

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